CÂMARA DE GUARUJÁ TENTA INDUZIR O CAMP AO SUICÍDIO

 

Estamos em Setembro...

 

De acordo com o IPEA existem aproximadamente 400.000 (quatrocentas mil) OSC (Organização da Sociedade Civil) registradas no país. O Instituto Doar em conjunto com as Revistas Época e Filantropia elegem todos os anos, as Cem melhores entidades para se doar a nível nacional.

 

Esse processo de inscrição para as entidades concorrentes encerrou-se em fevereiro. A partir dessa data, em conjunto com a Fundação Getúlio Vargas, iniciou-se criteriosa análise, tendo como princípios os seguintes fundamentos: Eficácia, Eficiência e Efetividade, ou seja: Custo, Resultado e Impacto Social, norteados pela plena transparência dos custos e atividades realizadas.

 

A primeira fase selecionou 800 entidades aptas – O CAMP Guarujá foi aprovado!

 

Das 800 entidades, um crivo mais profundo de análise, sob a supervisão da Fundação Getúlio Vargas, selecionou 500 entidades – O CAMP Guarujá foi aprovado!

 

Nas fases subsequentes, esse número foi para 300 e na penúltima fase restaram apenas 200 – O CAMP Guarujá está entre elas!

 

Não sabemos o resultado, mas qualquer que seja, acreditamos que o CAMP Guarujá já deve ser motivo de orgulho para cidade – A nossa entidade está entre as 200 melhores entidades do país para se doar! O resultado final será proclamado em evento a ser realizado no dia 1° de novembro no Museu da Arte Moderna de São Paulo.

 

Mas vamos falar de trabalho? Já passaram pela entidade mais de 17.000 adolescentes e temos um dos melhores cursos de Formação humana a nível nacional, atendendo adolescentes numa idade em que ainda é possível dar esperança e trabalhar a prevenção. Pode haver dúvida que seja o melhor Projeto de Inclusão Social e de prevenção existente na cidade?

 

O ingresso na entidade não é limitado por provas de conhecimento, nem por apresentação de título de eleitor, não sofre nenhuma ingerência (apesar de inúmeras ligações que buscam o “Jeitinho” – todas recusadas.) e a prioridade fundamenta-se na vulnerabilidade pessoal, risco social e situação socioeconômica a que a família esteja exposta. Não podemos esquecer – no ingresso, a procura se dá na esperança de inserção ao Mercado de trabalho, logo, são as exigências de quem tem as oportunidades de emprego que determinarão o perfil do público-alvo que o CAMP Guarujá deve formar.

 

A subvenção Municipal da ordem de R$ 218.280,00 anuais não é para cobrir custos com o aprendiz, e sim, custear parte do processo de formação de 40 adolescentes (dentre os 450 atendidos pelo CAMP Guarujá), o que não chega a representar 10% dos custos dessa etapa, considerada essencial para dar condições de igualdade nas entrevistas de seleção, que inclusive a Prefeitura e a Câmara Municipal realizam para selecionar seus aprendizes, ou eles mostrariam toda a sua defasagem escolar, social e pessoal – que lhes confere a famosa vulnerabilidade.

 

 

PARA UMA MELHOR COMPREENSÃO, VEJAMOS UMA SÍNTESE DOS ATENDIMENTOS REALIZADOS NO SERVIÇO/ANO:

 

Adolescentes – Programa Integração – (alunos em formação Humano-Profissional): 3.113 Atendimentos Psicossociais e/ou pedagógicos individualizados e/ou grupais, 2.403 horas de treinamento e oficinas. 21 Projetos Complementares desenvolvidos continuamente, 418 Entrevistas para as vagas de Socioaprendizagem.

 

Adolescentes – Programa Aprendiz Integral – (inseridos em mercado): 206 Contratos/matrículas de Socioaprendizagem efetivadas, 834 Atendimentos Psicossociais e/ou pedagógicos individualizados e/ou grupais, 1.514 horas de treinamento e oficinas, 11 Projetos Complementares desenvolvidos, 151 Apresentações do trabalho de conclusão da Socioaprendizagem (iniciação científica), 622 Exames médicos (admissional, periódico e demissional).

 

Familiares: 722 atendimentos – Programa Integração e 217 Atendimentos – Programa Aprendiz Integral; 13 Projetos Complementares desenvolvidos.

 

Eterno Aprendiz (Adolescentes egressos do serviço): 1.450 Ex-Aprendizes Cadastrados no Projeto, 388 Novos cadastros de currículo (opcional), 061 Atendimentos psicossociais individualizados, 122 Encaminhamentos para entrevistas de reinserção ao mercado de trabalho, 143 Ações de divulgação de palestras e cursos. Importante ressaltar que essa etapa não recebe nenhuma forma de subvenção ou repasse seja por parte do jovem, da empresa contratante ou qualquer parceiro.

 

Empresas Parceiras – Pública e Privada: 341 Visitas de Acompanhamento e apoio e/ou orientações às empresas parceiras, 960 Atendimentos de apoio e/ou orientações presenciais, telefônicos e e-mails às empresas parceiras, 87 Capacitações e orientações a novos supervisores, 168 Visitas e/ou contatos – Prospecção de vagas junto às parceiras.

 

Projeto Cuidando do Cuidador: 957 Atendimentos individuais – supervisão e apoio às atividades e/ou atendimentos psicossociais ou de apoio a família ou doença, com ou sem afastamento. 2.540 horas de trabalho pedagógico e avaliação - Programa Integração e Programa Aprendiz Integral, 24 h/atividade; Jornada de Formação Integral anual dedicada aos educadores.

 

Aprendiz na Escola: Acompanhamento e Reforço Escolar: 78 Oficinas de reforço/apoio, 33 Visitas e/ou contatos com Unidades Escolares, 301 Orientações de apoio à escola: ao adolescente/família, 1388 Acessos a boletins escolares on line.

 

 

SÍNTESE DOS PROJETOS COMPLEMENTARES:

Projeto Eterno Aprendiz; Leitura Interativa; Guia da Comunidade; Curtir Sim, Surpresinhas Não!; Cuidando do Cuidador; Projeto Casulo; Escolha Saudável; Encontro Participativo; Projeto Movimentar; Líder do Dia; Happy Day: Descobrindo a Magia da Arte; Adolescente Bombeiro; Juntos Contra a Dengue; Teclar e Trabalhar, é Só Começar; Oficina de Geração de Renda; Sonho e Ação Profissional; Uma Passagem pelo Amanhã; Cuidando do Futuro; Rasgando Rótulos e Construindo a Igualdade; Voluntariado e Consciência comunitária; Projeto Travessia; Projeto Recicla-Ação; Meu Espelho; Drogas? Eu Recuso – E Você?; Acolhimento & Ação – Proteção Social, Construindo Oportunidades; Todos esses Projetos somam 18.047 participações.

 

Posto que a complexidade desse Projeto seja Pública, com notórios resultados e que várias outras informações estão no web-site no portal da transparência da entidade, só podemos lamentar as levianas ponderações do Vereador em programa de televisão local, o que torna claro o descaso e desconhecimento das atividades desenvolvidas pela entidade, por aqueles que atualmente ocupam a nossa Câmara Municipal.

 

Em sua afirmação de cobrarmos “a maior taxa existente no país”, evidencia ainda mais a sua falta de conhecimento: cobramos taxa idêntica a todos as entidades congêneres, o que nos diferencia (além dos serviços executados) é a tomada de decisão da empresa parceira em pagar o salário mínimo nacional, ou o salário mínimo-hora – direito que lhes é facultado pela lei de aprendizagem – e não pelo CAMP Guarujá.

 

Sobre a “caixa preta” temos auditoria externa independente com registro C.V.M. há mais de 20 anos, arcando com um custo para a entidade de R$ 12.000,00, mas ganhando em uma credibilidade que só nossos governantes insistem em não ver.

 

Sobre “mamar na teta do Poder Público” a premissa não é apenas falsa, mas inversa: O melhor Projeto de “Política Pública”, entre os melhores existentes  nesse País, é realizado por uma Organização da Sociedade Civil, que é chamada para todos os eventos em que a cidade precisa mostrar eficiência e a “educação” dos jovens guarujaenses – os mesmos, que sem oportunidades poderiam estar também nos semáforos por falta de políticas públicas – Será que o Poder Público está “mamando nas fartas tetas do CAMP Guarujá”?

 

A demanda da contratação de aprendizes pelo comércio era de fato muito grande, mas logo após a promulgação da Lei n°. 13.019, obrigando o registro em carteira com todas as obrigações legais, o custo tornou-se para grande parte deste segmento, inviável – Isso encareceu as taxas!

 

Não bastando, a mesma lei reduziu de 8h para 6h/dia as atividades práticas nas empresas e ainda acrescentou a obrigatoriedade de atividades teóricas concomitantes, ainda que os adolescentes do CAMP Guarujá tenham o curso prévio de formação Humano-profissional.

 

Para fechar as mazelas da Aprendizagem profissional, levianamente atribuídas ao CAMP Guarujá, está a proibição de diversas atividades, antes realizadas nas pequenas empresas e comércio e ainda a obrigação de que o aprendiz seja acompanhado em todo o período de sua jornada diária por um supervisor.

 

Atualmente a entidade cobre seu déficit financeiro por iniciativa, empenho e dedicação de sua equipe maravilhosa, usando os recursos advindos da Nota Fiscal Paulista, concurso de Projetos Itaú-Unicef  e outros para cobrir despesas de custeio.

 

A equipe da qual se fala poderia se chamar “voluntários do bem”, pois embora o CAMP Guarujá nunca tenha falhado com seus compromissos de pagamento e mesmo reduzida à metade (sim, cortamos em nossa carne), essa equipe não esmorece e continua entusiasmada pela causa, ao ver os resultados brotar a olhos vistos – mas só vê quem não é cego.

 

Vamos falar da possibilidade de uma taxa diferenciada para o Poder Público? Ou de seu aumento, pelos relevantes serviços, ao executarmos uma Política Pública de alta qualidade, com resultados e impactos totalmente atingidos?

 

Dia 1º de novembro estaremos, no mínimo entre as 200 melhores do país, levando o nome da cidade a um desejado pódio ou será que se estivermos entre as 100 melhores podemos incluir em nosso discurso a vergonhosa verdade de sermos tão desconsiderados em nossa casa, a não ser que nosso nome sirva a essa casa para fins específicos próprios – e sempre com excelentes resultados?!  

 

Rogamos por ter uma morte morrida, jamais uma morte matada.

 

Estamos em déficit, mesmo realizando um dos melhores Projetos de Inclusão Social desse país, atingimos o patamar de referência nacional ao figurarmos entre as melhores 200 entidades sociais desse país, quem sabe entre as 100 melhores e já tínhamos ratificado os resultados do Serviço oferecido pelo CAMP Guarujá, por rigorosa avaliação econômica realizada pela fundação Itaú Social em 2014 e depois de tudo isso, nos é “oferecida”, “bondosamente”, uma redução de 50% da taxa cobrada e demonstrada sua aplicação em planilhas auditadas. Podemos concluir que estão assinando nosso atestado de óbito.

 

Para a Entidade nunca haverá dois pesos e duas medidas, baixando a taxa para um colaborador, adotaremos o mesmo procedimento para todos, pois todos merecem o nosso respeito. Não cometeremos suicídio, setembro é amarelo e o CAMP não fugirá a seus princípios.

 

Incluímos aqui, uma última nota: A negociação não havia terminado – havia um compromisso proposto pela Câmara Municipal de Guarujá, ratificado pelo CAMP Guarujá, de manter a negociação em sigilo, até outubro, quando tudo seria então definido – O CAMP Guarujá, mais uma vez honrou seu compromisso! Mas nessa história de Honra, a população já conhece a entidade.

 

 

CAMP GUARUJÁ

Setembro/ 2018